Terça-feira, Julho 07, 2009

.Postcards from Brazil.

Não, não estou viajando pelo Brasil, nem sai da região metropolitana de São Paulo, cancelei meu planos de viajar por Minas Gerais e enfim, mas sim estou viajando, que contradição.
Estou viajando pelos olhos alheios e também é uma experiência nova, sendo guia turistica por uma semana de uma argentina muito cheia de graça.
E pra mim é tudo novo, é ver pelos olhos alheios, redescobrir, até os amigos são uma novidade e as ruas, as praças, os carros, os museus, os prédios tem uma nova coloração, um novo jeito, é viajar, sim, dentro de uma nova perspectiva.

E hoje no topo do prédio do Sesc Paulista eu tive mais uma vez aquela certeza que não dura pra sempre mas por sorte sempre, sempre volta : sim viver é bom, é mega bom.

Sexta-feira, Julho 03, 2009

. Memórias incolores.

E lá de longe gritou, veio acenando, todo carregado de certeza.

- Cara, eu te conheço, não conheço? *efusivo*
Do outro lado uma voz desconsertada:
- Mmm, acho que não, nunca te vi. *tímido*
- Nos vimos sim meu, aquele dia, na casa de alguém...não lembro quem, já te vi sim, nunca esqueço um rosto.
- Papo sério cara, eu acho que nunca te vi na vida.
- Meu, concentra essa sua memória, pensa bem, você tem que lembrar, meu nome é Pedro falar nisso, ajudou ?
- Não, não mesmo, o máximo que isso me ajuda é lembrar que Pedro é masculino de pedra mas não existem meninas chamadas pedras né? Sempre achei estranho.
- Nossa, você viaja, isso me faz lembrar ainda mais de você, cara, é claro que a gente já se viu, lembra ae !
- Meu, já esta me irritando, nunca te vi na vida, nunca, entende? Nunca mesmo, nunca...
- Calma meu, como pode ter tanta certeza assim? Moramos na mesma cidade, como pode saber ?
- Sou cego cara, não posso ver, não esta vendo meus óculos escuros não ? Meu jeito peculiar ? Não percebe ? Esta chovendo hoje, nem esta sol nem nada !
- Ahhh, pensei que fosse parte de seus estilo, tem tanta gente revolucionária que não liga para essas regras todas, tipo, usam cachecol no verão, óculos escuros no cinema, faz tudo parte de uma moda nova, saca ?
- Tá cara, mas eu sou 'normal' e nem um pouco revolucionário, e uso óculos escuros porque sou cego, nunca te vi.
- Mas isso não impede que eu tenha te visto, na casa daquele alguém que ainda não me lembro quem.
- Tá, mas se você não tiver se manifestado no dia não posso saber de você.
- É, eu sou meio calado.
- Não parece.
- É, decidi mudar hoje, comecei com você, que péssimo começo, desculpe-me.
- Pois é, tem coisas muito além da visão, sentir pode ser mais importante.
- É, tem um cigarro ?
- Não, nem fumo.
- Nem eu.
- Ok.
- Olha, uma borboleta rosa com pintas azuis, toda saltitante.
- Cara, isso não existe.
- Que diferença faz, você pode 'ver' como quiser.
- Eu nasci cego mano, não faço idea de como seja a cor azul...
- ...

Pegou-lhe pelo braço e se pôs a saltitar, as vibrações dos pulos puderam ser nitidamente sentidas do outro lado.

- Pode entender o saltitar então.
- Sim e obrigado por me lembrar, é sempre bom lembrar.

.Sorriu.

Quarta-feira, Julho 01, 2009

[Sem assunto]

Criticava a tudo, criticava o ár poluido, as pessoas que estavam a sua volta, a vestimenta alheia, a fila do banco, as senhorinhas que adentravam a lotação.
Criticava o emprego, os colegas de trabalho, a politica, os filmes que passavam na televisão, os rumores do progresso, os televisores das lojas a prestação, criticava o miado do gato do vizinho, o choro do bebê no quarto ao lado, criticava os amigos, os antepassados e a tábua de passar.Criticava.

Um dia então, bom tempo depois, criticaram suas vestes, não pode rebater, estava mesmo muito cor de nada aquela manhã e eram mesmo muito peroladas suas vestes, uma cor sem cor, um tanto quanto amadeiradas demais, não pareciam servir.

Foi conduzida para morar eternamente ao lado de um ex politico corrupto e aposto que, se pudesse se pronunciar naquele dia, criticava.

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Algumas coisas são tão desnecessárias, afinal...

.Meu amigo Julho.

E mais um Julho se inicia, e com ele aquela sensação de meio, meio de ano, tanto tempo já passou, tanta coisa aconteceu e o mesmo tempo esta por vir, mais coisas estão para acontecer, o que vai passar, quem vai aparecer, o que o destino vai aprontar, quem vai morrer, quem vai nascer, o que vai amar, o que vai se perder?

Sei lá, e não saber, daí vem a graça de viver, acredito.

E hoje sigo com um novo sorriso, um novo sorriso para o meu querido mês de Julho.

'....todos os dias quando acordo não tenho mais o tempo que passou....
o que foi escondido é o que se escondeu, e o que foi prometido ninguem prometeu, nem foi tempo perdido, somos tão jovens, tão jovens.'

Sexta-feira, Junho 26, 2009

.Carta de (fim de) amor.

Vitor

Agradeço por ter te conhecido quando o único certificado que você queria talvez fosse o de 'pessoa que vivia de coisas simples' do ano, aquela fase foi dura, pouca grana, pouco luxo, pouca roupa de marca ou tenis caro, mas muito, muito tempo ocioso, muito fazer o que desse na telha, muitas pequenas surpresinhas, pequenos gestos tão simbólicos, pequenas noites tão, tão apaixonantes nos pátios do colégio. Hoje eu custo para lembrar qual foi a ultima vez que te dei um beijo de verdade.

Também agradeço por hoje saber quantas coisas importantes você vai se tornar, e terei orgulho de dizer, "eu namorei com esse cara", pode ser que eu tenha tido uma parcela de participação em tudo isso ou coisa que o valha, mesmo que não se importe, mesmo que ninguém nunca se lembre daquela hora que pareceram dias para mim, te esperando na sala de espera daquele hospital, essas coisas nunca ninguém se lembra, mas elas fazem parte de tudo para sempre, não acha?

Ontem estava pensando aqui, antes de dormir, que essa vida só pode ser um castigo, com certeza isso daqui já é algum tipo de condenação, por algo de ruim que fizemos, sei lá,em um lugar mais feliz...
A gente é tão preso a esse sistema ridículo, burocrático, essa vida presa a todas essas tarefas, obrigações, estudos, trabalho e enfim essa vida sem grandes alegrias, que depende de um fim de semana e que bem, com profissões duplas ou medíocres são tão reduzidas, sei lá, mas que vida sem graça, como você mesmo disse uma vez, estamos sempre tão longe de quem amamos, afinal pra que tudo isso baby, pra que estamos aqui? ... acordar todo dia para morrer mais um pouco...(você também me ensinou isso)

Sei lá, tudo isso me faz pensar um bocado.

Bem vou parar por aqui,já tomei muito de seu infelizmente tão escasso tempo, tão curto tempo.

Espero que esteja bem.

Te amo! Mas não somos mais coisa alguma que a sociedade possa se interessar, apenas te amo 'calada como quem ouve uma sinfonia' e 'se fosse só sentir saudades Vitor, mas há sempre algo mais, seja como for...'

Clarice

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Muito tempo se passou desde a última carta, muito tempo.

Segunda-feira, Junho 22, 2009

.Vera.

Se perguntamos a Vera de que país ela vem, ela responde confiante que vem de Juazeiro do Norte. Foi lá que ela passou a juventude, teve filhos e deixou um, para a avó criar. Com ela pra São Paulo só veio a mais velha, que vai pra escola, e já lê como não faz Vera.

Vera diz que lava o 'broques' do banheiro, que quando bate a cabeça isso lhe faz um 'catombo', que precisa fazer 'perapia' pois a cabeça dela não funciona para aprender ler e escrever e que esta tratando das 'varizas' já faz algum tempo. Vera não gosta de chá de 'gengibra', tem 29 anos e sempre pergunta pra gente o que as pessoas sentem quando são enterradas, ela acredita que a pessoa sufoca e que grita eternamente por ajuda. Acho que Vera tem medo de morrer. Vera já foi meu tema de apresentação nas aulas de lingüística.

Hoje Vera me perguntou se verão é calor ou frio, meu pai disse que era frio, para confundida-la, eu logo expliquei a verdade, e ela disse que de onde ela vêm verão é frio, e falou com toda a certeza. Então tá, talvez chova no verão, nunca é verdadeiramente frio no 'país' dela, mas mesmo assim, insisti em explicar a verdade, mas depois, esqueci.

Vera faz coleção de carnês da casa Bahia, não pode mais ter filhos e tem na vida um horror de cunhada, Vera sofre mas ri sempre de forma muito sincera, e faz questão do refrigerante na hora do almoço.

Vera é dona de uma ingenuidade só dela, de um mundo só dela também, é dona dela e de mais ninguém, Vera é dona de toda a minha afeição, eu a amo sem ao menos poder lhe escrever um bilhete para materializar minhas palavras, ela não poderia entender, e acho que não faz caso explicar.

Vera não sabe ler, não sabe quem é Machado de Assis, Renato Russo ou Jean Luc- Godard, mas sabe amar, e sabe me dizer exatamente o que sente e sabe me olhar com ternura todas as manhãs que a vejo, mesmo frias, mesmo quentes, Vera sabe...ela sabe.

. Entre o vão do trem.

Era humana.Mulher.Adulta. Estava viva, respirando.
Um tombo no ár, um empurrão, não sabemos ao certo.
Caiu, no vão do trem entre a plataforma, de corpo inteiro, ficou abaixo do chão durante longos e eternos 20 segundos.
Uma senhora notificou o ocorrido, gritava por socorro, sinais para o condutor "Não saia, uma mulher caiu"
A ajuda veio de todos os lados da plataforma, um moço veio correndo desesperado para ajuda-la. Nunca haviam se visto até então.
Todos os homens juntos, ergueram a mulher, em um solavanco só, estava viva, respirando, mesmo que com a mão levemente ralada e com uma cor acinzentada como céu de inverno.
Esteve ali, naquele vão, o que terá pensado naqueles segundos, o tempo que passa, o trem que sempre parte, e meu coração se repartiria, em dois.
E tem gente que diz que vivemos em um mundo cruel, sem ajuda sequer, pessoas frias, impassíveis, não acredito. Não nesses momentos. Essa comoção coletiva por vezes assusta, por vezes arrepia, as pessoas não estão frias ou impassíveis, estão com medo. Ou acostumadas.
Suicidas agora são atrações no youtube, a tecnologia amortece os sentidos, já estou certa disso.

Porém, ver aquele moço pulando de um lado oposto do mundo, daquela realidade nos trilhos, trombando os demais com desespero, segurando firme as mãos de uma total desconhecida, a trazendo de volta a condição natural dos demais, aquela condição na plataforma, indo para lugar qualquer, lhe ausentando o medo, lhe devolvendo a vida...
Eu não consigo ser impassível, e me assusta quem pode fazer isso, me assusta ou me faz inveja.


Dói sentir, não fazer nada e fazer doer mais ainda.

Terça-feira, Junho 16, 2009

.Black 'n' white.



Memórias alheias, herdadas desde a infância.
Em preto e branco, para entreter-me mais.
Meu pai com esse chapéu malandro, põe a culpa na 'última moda'
Minha vó, viva, sinto saudades e nem conheci...
Fotos de uma caixa, objetos a alcance da destruição...
Tempos vividos, esquecidos quem sabe, perdidos jamais.

Segunda-feira, Junho 15, 2009

.Quem vai ???.

Beirut em São Paulo, 8 de setembro !!!!

Sábado, Junho 13, 2009

.27922.

Para o primeiro filme, tivemos que subir aquele elevador sinistro, com aquele segurança ainda mais sinistro, para falar a verdade, todos eram meio sinistros, até mesmo o moço bacana que acendia compulsivamente um isqueiro, e bem após esse primeiro filme, era então minha vez de olhar compulsivamente aquele número que me deram.

Não esperava por aquele filme, não alí, talvez o dia dos namorados o fez estar alí, mas não esperava por ele, tinha a cena do aeroporto, e isso me deixa entediada, mas tudo bem, me rendeu algumas risadas e os amigos do lado, nem me fizeram importar, estava com medo daquele tremor no solo do cinema, mas no fim foi divertido imaginar paranoicamente que tudo iria desabar.

Um intervalo aqui, a língua que se queima com o cappuccino exageradamente quente, o pão de queijo amigo, as risadas favoritas, um sorteio, meu número estava lá, tão reluzente, como se fosse natural estar lá, desde sempre, sabia que estaria, a camiseta era linda, mas masculina, me disseram que poderia trocar, ficou tudo bem então, nunca ganho nada nessas coisas, mas dessa vez, parecia mesmo que era pra mim. O número 27922 nunca me caiu tão bem.

Mais uma fila, um novo filme, daqueles que te deixam meio sem palavras no final, a língua alemã fazia todo sentido, ainda não acho que tenha sido culpa dele, somos mesmo muito pertubados, que seja, eu nunca, raramente durmo assistindo filmes e aquele jamais me deixaria dormir, mesmo sendo três da manhã.

Então um filme surpresa, e o nome do filme se revelou pelo nome da cidade mistério, Paris, Paris e mais uma vez Paris, retratada de uma forma cinza e invernal, me sufocou um pouco Paris por aquela tela, as histórias me sufocaram um pouco, era uma verdade absoluta e era Paris, e na cena da neve, fechei os olhos de sono, e quase a senti caindo dentro do cinema, a neve, pude imaginar a reação das pessoas, é uma imaginação meio dificil, é impossível prever o que fariam.

E em Paris terminou-se a noite cinematográfica e buscamos a rua, amanhecia na Consolação, o frio, o sono, a Paulista, obsessivamente encantadora como em qualquer horário do dia, perdia a noção do tempo fotografando qualquer coisa, ouvindo as conversas ao meu redor, um casal de amigos dançava valsa, não pude resistir uma foto. O metro nos engoliu, não podia ver mais nada, dei um tchau apaixonado com o olhar pra avenida onde tudo é possível.

Dormi até muito tarde, depois uma recomendação que não consegui mais parar de ouvir desde que a recebi.

Mais tarde a noite de Caldos da família Rios-Navarro na estação Patriarca, uma pequena viagem, antes correndo na Rua Augusta para trocar a camiseta prêmio do Noitão, agora tenho cores de Almodovar dentro do meu ármario, e sobre a noite de caldos, a família, as meninas, a querida Luí e tudo mais, tem coisas que não dá mesmo pra transcrever. Conexões humanas que não dão para explicar, só viver, então...me calo.

Fins de semana prolongados são jóia, e eu nem tive que aguentar engarrafamento para passar uns dias no litoral, nem ser assaltada, pisoteada ou passar mal na Parada Gay que perdeu total o sentido, sinto saudade da Parada Gay dos meus 12 anos, mas enfim, não precisei de nada disso para terminar o grande feriado com aquela sensação de vida nas mãos, ausência de remorso causado pelo ocio quando nos damos conta que o domingo acabou.

Obrigada aos participantes e ao grande número 27922, obrigada pelas cores de Almodovar.

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Filmes
Last Chance Harvey - Joel Hopkins
Die Welle - Dennis Gansel
Paris - Cédric Klapisch

Música
The Lighthouse and The Whaler

Terça-feira, Junho 09, 2009

Hey, dude, can I crash on your couch ?

Entre sites de busca, relacionamentos, blogs, blips e tudo, não tem projeto da web que eu ache mais genial que o CS (CouchSurfing).
Para quem não conhece, o Cs é um projeto desenvolvido por viajantes para viajantes, é uma espécie de site de relacionamentos, você monta seu profile, coloca fotos, interesses e essas coisas típicas desse tipo de site, mas o objetivo do CS é conectar viajantes de todo mundo, as pessoas então, abrem suas casas para receber as outras, disponibilizando o seu couch para a outra dormir alguns dias, totalmente for free, o CS é a modernização da palavra hospitalidade, eu acredito.
Você não é obrigado a colocar disponibilidade de 'couch' para usufruir da irmandade, seu status pode ser sim, talvez, ou apenas café e almoço, ou seja, você pode ser guia turístico por um dia em sua cidade sem ter que oferecer um lugar para a pessoa dormir.

Eu tenho poucas experiências no Cs, sou como posso dizer, newbie por lá, mas as poucas experiências que tive me renderam memórias para uma vida inteira, quem me falou sobre o projeto foi a Silvinha, que foi minha host inúmeras vezes em suas republicas paulistanas, depois minha primeira grande viagem com hospedagem CS foi para Buenos Aires, fiquei na casa da Jota, minha querida amiga argentina, nos conhecemos pelo CS e eu passei 12 dias em sua casa, a família dela me adotou, sua mama me chama de hija brasileña, eu os amo muito mesmo. E eu nem dormi em um couch, dormi em um colchão mega macio no quarto da Jota, quentinho, era inverno, aquecedores, longas sessões de fotos, jogos de família, conhecendo amigos, museus, teatros, passeios, foi cem por cento afinal.

Segunda experiência CS foi com o Matt, na França, me recebeu em seu apartamento estudantil em Issoudun, um vilarejo no centro do país, fui de trem, ele foi me buscar na estação e tudo, tinha festa de seus amigos da faculdade, comemoravam o inicio das férias de Natal, e eu conheci todo mundo, falaram inglês e até espanhol por minha causa, um menino arriscou até português, eu não entendi nada, mas valeu a intenção. Eu já conversava com o Matt por msn fazia tempos, mas o conhecia pessoalmente alí, ele arriscou cozinhar até, me cedeu uma boa parte da sua cama pra eu dormir, no dia seguinte me levou para conhecer o vilarejo e me deu uma carona muito preciosa para Nantes, sua cidade natal, cinco horas de viagem, foi mesmo muito bonzinho comigo, em Nantes eu fiquei na casa de outro host, mas Matt me levou para festas de outros amigos e foi supimpa, além de me levar em uma viagem pela costa atlântica pela manhã, quando a festa terminou. O Matt é jóia, falarei isso pra ele até o fim da minha vida, todo dia, se possível. :) Em Issoudun, ele me deixou escolher os cds que ouviríamos durante a viagem, ele tinha opções tão geniais, eu escolhi oito CDs e todas aquelas musicas, agora, se ouço, sorrio como uma tonta.

Em Nantes, foi minha terceira experiência Cs, com o menino Jonathan, Matt me deixou na porta da casa dele, eles até se conheceram e tudo, chegamos lá por volta das 8 da noite, e com o Jonathan eu só tinha trocado msg via CS até então, confirmado endereço, essas coisas, a principio é muito estranho, é maluco posso dizer, mas nossa, Jonathan cozinhava extremamente bem, tinha muitos vinhos e chocolates espalhados pela casa, um sofá cama tão confortável quanto minha própria cama, uma mente muito aberta, falava um inglês muito perfeito (coisa rara entre franceses)^^, havia morado na Holanda 5 anos, não se sentia mais em seu país, conversávamos por horas, ele tinha um imenso poster do Into the Wild no seu quarto, quis rouba-lo muitas vezes, eu quebrei a câmera dele no segundo dia e ele nem ficou nada bravo. Ele cozinhava, eu lavava as louças, um telefone podia fazer ligações gratuitas para a minha casa, me levou em um passeio pelo centro da cidade, foram três dias e eles me deixaram uma sensação imensa de esperança nas pessoas e essas coisas.

Depois Silvinha me recebeu novamente, dessa vez com sua família na Alsace, mas dela não posso dizer, somos irmãs, dizemos, nossa amizade vai muito além do projeto CS e tudo, mas ela é muito interessada no projeto e sempre recebe e se hospeda quando possível. Ela viajou a America Latina desse jeito praticamente. ^^

Afinal muitas pessoas acham que eu serei assassinada ou coisa parecida em uma dessas viagens para casa de desconhecidos, mas confio muito nos participantes do CS, as regras são simples: partilhar, ajudar, entender, ser independente, educado, lavar a louça, dividir a conta do mercado, se te permitirem, é claro, contar histórias, partilhar cultura, ser 'open-minded' e tudo isso. Fica tudo bem e você leva para casa muito mais que souvenirs de lojinhas à margem do Sena ou qualquer outro ponto turístico mundial.

Agora serei host pela primeira vez em julho, da Jota, e não vejo a hora de retribuir, queria ter mais experiências como host, mas minha cidade não é lá muito turística, não recebo pedidos com freqüência ou nunca, snif, snif...

E em julho também, lá vamos nós, viajando com o CS pelas cidades históricas de Minas. :D

Então, tem um sofá-cama ae amigo?

CS é uma recomendação que todo mundo deveria receber um dia. Papo mais que sério.

Domingo, Junho 07, 2009

.E no consultório.

- Então doutor, o que eu tenho afinal?
- Olha seus exames mostram que você tem uma leve próclise na região do palindromo.
- Como assim doutor? É grave isso?
- Sim é um pouco, pois a próclise impede a circulação natural da sua catacrese, logo você terá alguns sintomas desagradáveis.
- Como o que ?
- Pode ocorrer antes de dormir, surtos de cacofonia ou leves palpitações na mesóclise.
- E tem cura ? Como eu peguei isso, meu jesus?
- Tem um tratamento a base de polissindetos subordinados, provavelmente o senhor contraiu isso em alguma viagem ao exterior, o senhor viaja muito?
- Não, mas mês passado fui com minha esposa para Nouvelle Vague, um vilarejo nos países bascos, será que eu peguei isso lá, será?
- Pode ser, essa doença não é comum aqui na América.
- Nossa, que horror. E como funciona esse tratamento?
- O senhor vai ter que tomar esses comprimidos a base de polissindetos subordinados durante três semanas, pode ocorrer alguns efeitos colaterais como inchaço da enclise, mas nada grave.
-Tudo bem, tudo bem, começarei hoje mesmo.
-Sim, e faça o tratamento de forma devida, se sua próclise evoluir para uma polissemia vai ser muito mais díficil de tratar.
- Não se preocupa, seguirei tudo certinho, já vou agora na fármacia comprar isso.
- Então tudo bem sr. Assis, tenha um bom dia, marquemos seu retorno para três semanas.
- Tudo de bom pro senhor, tenha um bom dia, tchau.

- Hey, não esqueça de pegar sua semiótica com a recepcionista.
- Ahh obrigada por me lembrar, tchau.
- Tchau, até breve.

Sexta-feira, Junho 05, 2009

Contos do lado de fora. Horror no gelo.

Se tinha uma coisa que me encantava tanto, tanto nos meus 12, 13 anos de idade, quando conseguia acompanhar pela tv, não desgrudava o olhar, era a tal da patinação no gelo, era uma coisa absurda, me encantava cem por cento, era vidrante.
Foi então que em uma fria noite de Janeiro, eu e minha prima Carol, a família Raji e Enora decidimos ir patinar na grande pista do Hotel de Ville no centro da capital francesa.
Fazia sei lá, uns 0 graus aquela noite e a pista estava cheia, a principio eu disse não, jamais faria isso, eu que tinha dado a ideia e tudo, mas na hora deu um medo terrível, mas pensei, talvez nunca mais tivesse tal chance, ou então só com os meus 70 anos voltaria a ver uma pista tão grande como aquela, em frente a uma prefeitura onde no telhado milhares de luzes faiscavam, ainda me distrai durante a decisão observando o carrossel e o excêntrico Centro Cultural George Pompidou ao longe, então logo disse um sim decidido, deixei minhas botinas no balcão e peguei o meu par de patins de aluguel, me custaram cinco euros, preferi não fazer a conversão pra não me arrepender, calçar aquele troço já foi a primeira missão quase impossível e sair andando com ele pelo chão emborrachado da entrada foi bizarro mesmo.
Enfim no gelo, pensei em ficar na área de treino, mas seria mesmo estranho uma adulta no meio de tantas crianças, eu me sentia meio imbecil de qualquer maneira, Celine e Ethienne me encorajaram dizendo 'todo mundo cai na primeira vez, não se preocupe' ¬¬ e lá foram eles, minha prima já havia tentado a tal patinação na pista de Nancy, Enora sempre com uma aparência tranquila, só eu mesma estava em pânico...upa, upa, um pequeno degrau e voilá, estava agora de fato na grande pista, o jeito era seguir o fluxo, no meio de alguns outros poucos tão ruins quanto eu.
Fui me acalmando, até que não era assim tão difícil, depois dava uma empolgada, lembrava dos grandes patinadores na tv, eu tentava alcançar mais velocidade, ser nem que fosse um pouquinho como eles, mas assim que tentava isso, me desequilibrava ficava com medo e me escorava nas bordas e lá ficava observando todo mundo, passava Celine, Enora, Carol e eles diziam 'vamos menina' e eu fazia um sinal que já tava indo, e lá ia eu tentar de novo.
De repente me dei conta que me sentia em um filme de suspense daqueles, pois estava com muito medo de uns meninos que conseguiam andar muito rápido, e dançavam e rodopiavam e até faziam manobras como as da tv e faziam questão de apavorar os lentos como eu, eles 'tiravam fina da gente', freiavam bem em cima, raspavam o gelo fazendo um barulho terrível, eu então fugia deles apavorada, tudo que queria era fugir, foi aí então que a minha sessão patinação no gelo virou sessão do terror, me senti em um filme de verdade, por diversos motivos, pessoas caiam toda a hora e riam, e se levantavam massageando o bum-bum, quando um dos ruins caia, caiam mais quatro em cima dele em seguida, que pavor, mas eu persisti, não cai uma vez que fosse, passei muito tempo me escorando, mas mesmo assim não cai.
Abriu um buraco no gelo, e a pista foi fechada para manutenção, tivemos que sair, que pena, aquela adrenalina estava começando a aquecer bem os meus pulmões, queria ter derrubado um daqueles meninos imbecis, mas não deu tempo. hehe

Todos ficaram impressionados por eu não ter caído em minha primeira vez na pista, até me parabenizaram, nenhum de nós havia caído, só Ethienne havia derrubado sem querer um moço distraído, eu tinha visto a cena e rido discretamente um bocado.

Não quisemos esperar a reabertura da pista, fomos então jantar uma tigela gigante de uma salada peculiar em um restaurante em Montmartre, na parte alta, minha favorita, e não havia mais suspense nem medo dos patinadores ou coisa parecida. Era uma noite meio absurdamente mágica, a neve havia já derretido das calçadas, o restaurante estava lotado e quentinho, Silvinha tentava chegar em Paris pedindo carona na estrada para se despedir de mim mais uma vez, a vez definitiva, e tinha membros da familia e pessoas que eu nunca tinha visto na vida, mas que me tratavam como se por trás daquela cena estivessem anos de convivência. Eu havia reunido todo mundo sem querer, pessoas desconhecidas conversavam, estavam todos ali, indiretamente por minha causa e se davam bem, por tempos contemplei a cena, tentei arranhar no francês e falei expressões inadequadas que os fizeram romper em gargalhadas, é bom não ter que fazer muito esforço para fazer o outro rir, bastava tentar falar qualquer coisa, era o frio mais frio do mundo mas não fazia mesmo mal algum.

Acho que no fim, apesar de tudo, aqueles foram os cinco euros mais bem pagos da minha vida. E tenho dito.

Quarta-feira, Junho 03, 2009

.Se alguns querem ouro...







...outros querem paixões.

♫♪♫ Águas de Março por Tom e Elis ♫♪♫

Segunda-feira, Junho 01, 2009

.Aplausos.

Se tem uma coisa que me incomoda um bocado é dar aplauso forçado, aplauso para aquilo que não me agradou ou causou emoção, aplauso hipócrita sabe, por puro convívio social e tudo, me parecem pesar os aplausos dados assim, por isso aplaudo rápido, freneticamente para que acabe logo.

Quando me sinto bem, quando aquilo que aplaudo tanto me convem, aplaudo com gosto, com até certa necessidade, me 'envermelham' as mãos, até uma sensação às vezes de poder fazer mais para agradecer, pular, assobiar, gritar ou coisa que o valha. As palmas parecem refletir o que diz o peito, sempre fico refletindo por trás do aplaudir, quando as pessoas não estão me vendo e tudo.

E hoje sinto que, não teve aplauso tão bem dado, tão merecido, quanto todos que dei para todos os comandantes, pilotos e co-pilotos dos poucos aviões que peguei na vida quando aterrissamos, e para todos aqueles que se manteram impassíveis, por não acharem o momento apropriado eu digo, da próxima vez aplauda, aplauda de pé se possível.

Eles merecem.