Sábado, Março 26, 2011

.Lista- das cidades e o que me lembro pt. 2.

Buenos Aires - duas viagens, duas experiências tão distintas, cidade além do tango, explode em cores como as de Almodovar, eu na casa de uma família argentina, lágrimas escorrendo nos olhos de uma mãe portenha, ao nos despedirmos.
Paris - andando pelas ruas conversando secretamente com Truffaut, neve pela primeira vez, um frio de - 10. Verão, piquinique a beira do Sena, bolinhas de malabares, andando de olhos fechados, beijos ternos na testa. Inverno outra vez, um dia a perseguir um fotografo, jogos teatrais com as canadenses, um jantar canadense falar nisso, papo de chão de banheiro, ressaca e minha ultima olhadela para o rio Senna sentindo uma puta vontade de vomitar e sumir, não quis me despedir, recusei-me.
Nantes - música, museus e navios de guerra, e um amigo cheio de misterio e eternidade, um host maroto que tinha um poster de Into the Wild no quarto e eu com vontade de roubar este poster.
Rennes - a republica mais legal que já passei, uma foto presente de uma criança fazendo careta em algum canto da Macedonia, eu fazendo pão de queijo pros franceses e descobrindo como é ruim a mostarda de Dijon.
Issoudun - festa estranha com gente esquisita, não to legal, não aguento mais birita.
Strasbourg - frio, frio e uma arvore azul.
Colmar- eu estava com elas, a cidade nem importou muito, efemeridade.
Freiburg- primeira visita alemã, muitas flores e um café malandro.
Kayserberg- castelos, montanhas, dois natais e saudades, muitas saudades.
Lyon- festas mais estranhas com gente mais esquisita ainda, Saint Exupery e todos aqueles anarquistas chapeleiros.
Den Haag- aconchegante, a praia era logo alí, a biblioteca acolhedora e obras de arte muito bizarras pelas ruas.
Nootdorp- o lugar mais calmo do mundo, meninas louras, uma vida com prazo de validade que expirou mesmo.
Delft- menina com brinco de pérolas, um coração de vidro azul, todas elas, em suas vidas holandesas tambem com prazo de validade em suas bicicletas.
Rotterdam - as casas cubiculares e a tontura ao acordar, madrugada a fora visitando museus, minha primeira dutch semana.
Amsterdam - cheiro maconha, prostitutas de vitrine, uma bicicleta amarela, loucuras, canais cheios de charme e capoeira pelos becos.
Utrecht - tomando sorvete no canal, ouvindo uma familia francesa brigando pra valer, velhinhos passeando de barco, sendo expulsas de uma loja sem motivo aparente, um urso de pelúcia gigante pendurado em uma arvore, muitos brechós e uma loja só de latas de biscoito.
Langwer - eu e elas nadando nos canais nos fundo da casa de verão da família.

E continua mais uma vez...

Sexta-feira, Março 18, 2011

.Lista- das cidades e o que me lembro pt. 1.

São Bernardo do Campo - a infância, a adolescencia garantida nas escolas de muro verde.
Santo André - a cidade vizinha, um parque, um primeiro beijo, uma escola de cinema livre.
Diadema - o troleibus passa por lá
São Caetano - o trem passa por lá
Guarulhos - os aviões partem de lá
São Paulo - me condiciono ao amor incondicional por essa pequena grande cidade do caos.
Juiz de Fora - desde a infância me pego pensando sobre a origem do seu nome, um juiz de fora e todas essas coisas.
Coimbra -duas vezes por ano, nas ferias escolares, família, fazenda, sitio, pão na chapa do fogão a lenha e geleia de goiaba
Viçosa - não tem semáforo embora tenha muitos carros, lá tomei o melhor cappuccino do mundo.
Piracibaca - que rio bravio, que fins de semana agradáveis.
Campinas - o dia mais inusitado da minha vida, baldiacoes de trem, festa e um domingo ensolarado com uma família inesperada, com direito a abacaxi flambado e um cão maroto.
Sorocaba - lembro-me de um hospital, um transplante ocular, um ex amor e a melhor coxinha do mundo
Volta Redonda - o estado do rio sendo rio, sem turistas em cada esquina e uma parte da família
Belo Horizonte - um mirante e os motoristas que sempre fecham os cruzamentos, uma rodoviária lotada em véspera de Carnaval.
Rio de Janeiro - o lugar mais quente, contraste social absurdo, e a vista lá do cristo é de fato surrealista
Natal - praias de água verde e algas nos cabelos, lá na infância
Ouro Preto - um amor que nasceu com a leitura de um livro, presente de aniversário dos meus nove anos, destino de fuga aos 16, pessoas que mudaram tudo, carnaval chuvoso, bondade na casa amarela, despedida sofrida, pra sempre amor.
Mariana - alguém tocando piano, igrejas, eu e ele deitados na grama
Lavras Novas - foi tão por acaso que me pareceu um sonho, cidade escondida nas montanhas, cachoeiras, chapadas e casas coloridas.
Guaruja - os judeus e suas musicas israelitas
Santos - primeira vez que vi o mar, meu pai me ajudando a pular ondas, que medo, eram os meus 5 anos
Itanhanhem - quantos fins de semana, quantas pessoas que nunca mais vi, quantas brincadeiras infinitas, quanta alegria e pasteis de queijo...

Continua!

Domingo, Março 13, 2011

.the last goodnight kiss.

Montamos uma tenda colorida acima de nossos colchões no sótão, assistimos a um filme juntas, nos preparamos para deitar, ainda ríamos sem pensar no amanhã, ainda brincávamos, ainda tirávamos sarro uma da outra, com aquela cumplicidade tão conhecida apenas por nos mesmas, como um segredo valioso, íamos saboreando os últimos momentos de nossas vidas em comum.
Foi quando olhando pro teto, as três estiradas no colchão, demos as mãos em um gesto quase que invonlutario e tivemos que fazer promessas finais, prometendo um amor já tão inevitável e insolúvel. A mais velha, que até então havia escondido o medo e a tristeza com um humor ironico, finalmente se permitiu chorar, e choramos todas, no quarto sem luzes, apenas com um fio de luz esbranquiçado que nos iluminava um pouco a face.
Dormiram ao meio de soluços abafados, eu ainda fiquei por muito acordada escutando suas respirações, as observando na serenidade do sono uma vez mais, e com um aperto no peito, lhes dei meu ultimo beijo de boa noite, ultimo dentre trezentos tantos outros, em suas testas rosadas, com sabor de lagrima e saudade. Na testa das minhas meninas.

 
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Dói.

Terça-feira, Fevereiro 15, 2011

.No final das contas.

Foi então que eu assistia e vivia em um filme supimpa e serelepe, mas aí decidi que precisava por um tempo assistir outro, pausei minha personagem no primeiro, dei play em mim na nova película, e agora, quase 365 dias depois chegou a hora de voltar para a primeiro filme, mas nele só pude pausar eu mesma, agora serão novas cenas, novas tramas e caberá a mim entende-las ou não. Assusta um pouco.

Quando cheguei no segundo longa metragem, cheguei na historia de uma família que eu quase nada sabia, por um ano tentei entender os seus conflitos, suas interpretações e agora deixarei o roteiro, deixarei a cabeceira da mesa do jantar, como uma pessoa que é apagada das fotos de família, mas se deixa na memória daqueles que permanecem.

No cenário do filme, eram nomes de ruas e sinais e placas e conversas dispersas no transporte publico que eu não podia entender, era desconexão do real, era desligamento de mim, e por muito ainda é, mas agora sou também parte do todo, com toda a historia deixada pelas esquinas da vida temporária, possívelmente montada em uma bicicleta.

E o que se viveu foi imensurável, como dez anos dentro de um, tantas despedidas que tive medo de me acostumar com o adeus, os amigos de antes na vida de agora, tantas paradas de onibus, línguas incompreensíveis onde me comuniquei sorrindo, 300 kilometros de riso e lagrimas tambem, uma saudade do tamanho do Brasil, e tanta historia, tanta gratitude, tanta solitude dentro do eu e dos meus tantos questionamentos. Amor, muito amor, no clichesismo pleno da palavra, sem rodeios.

E teve muito daquelas duas pequenas meninas, que me beijam nos lábios, que andam sem roupas sem frescura na minha presença, me fazem cosquinha antes de dormir, tentam sambar jogando os pés pra cada lado, sabem contar até dez em português, fazem perguntas que me fazem rir muito e me ensinaram que a vida é um choro doído seguido de um riso muito, muito sincero.

No final das contas faltam só quatro dias e o primeiro filme esta esperando eu sair do pause.

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Tempo malandro, passou mesmo.

Quinta-feira, Janeiro 20, 2011

.Recorte Paulista.

Comprava meu ingresso no Belas Artes e antes do filme por que não ir tomar um suco na Frutaria Paulista, ia por aquela travessia da Consolação, aquela que tempos antes eu morria de medo "Já assistiu aquele filme, Irreverssivel? Então, não passo por passagens subterrâneas nem fodendo meeeu!" Mas um dia me disseram que tudo bem,  e então eu decidi tomar coragem, meu unico medo de lá agora é o de me atrasar por ficar vendo os livros. Só em São Paulo pra ter um sebo em uma passagem subterranea, sebo com música e com poster de artista de cinema nas paredes da escadaria.
Na frutaria aquele cheiro colorido de fruta madura, açai na tigela, saudade de gente que anda nas ruas de outras cidades, agora.
Antes de voltar pro cinema, a travessia da Av. Angélica traz muitas outras memorias tantas, depois do filme não resisto a vontade de ir tomar um sorvete de yogurte com calda de amora na comedoria do Sesc do outro lado da Av. Paulista. Antes de chegar lá, aquele oi com o olhar pro senhor que dança sozinho na esquina com a Augusta, rua que sempre tenho que descer nem que seja um pouco, onde já vi mendigo tocando flauta sendo vivamente aplaudido e coisa de todo tipo, onde encontro todos os filmes raros que tanto quero ver nas banquinhas dos hippies estudantes da Usp, se fosse mais tarde eu desceria até a Praça Roosevelt, me encantar como sempre com o teto colorido do espaço Parlapatones, checar a programação do Satiros, lembrar daquela peça que assisti em uma madrugada quente que abalou meu mundo, pagando o valor que quisesse.
Voltando pra Paulista sem duvida dou um pulo na Livraria Cultura no Conjunto Nacional, só pra sentar nos puffs e ficar olhando pro teto, se for terça Masp certeza, entrada livre, se fosse domingo já estaria na feira do Trianon, ou do Center 3, ou do vão do Masp, ou daquela casa antiga marota que vende coisas magicas.
Pro meu sorvete com calda de amora ainda falta alguns quarteirões, faço uma parada na Reserva Cultural debaixo do predio da Gazeta, pra comer um pain au chocolat, de certo o único da cidade, caro pros diachos, mas uma vez por decada tá bom, da pra matar a saudade.
Casa das Rosas me inspira um poema e me recorda de noites de sarais.
Aí que vontade vai me dar de descer a Brigadeiro até o Ibirapuera, visitar o museu de cultura Afro, sentar a beira do lago, observar os predios no fim de um fundo verde.
Chego finalmente no Sesc Paulista, subo os elevadores que geralmente recitam poemas, mais um lance de escada e lá estamos, no topo do prédio, os garçons da comedoria já brincam "você já veio aqui essa semana, sorvete de yogurte com calda de amora certo?". Nunca é demais observar a Paulista lá de cima através daquele binóculos malandro, se for hora de por do sol, você nunca se esquecerá de lá.
De certo, quando descermos, iremos pela escadaria colorida, parando em cada andar pra ver o que se passa, exposições, gente pulando, dançando ou esculturas de senhoras sentadas olhando pela janela solitária irão nos ocorrer.
Delícia de sorvete, da próxima vez peço o com calda de maracujá. "é só dois real"

Pequenissimo recorte de vida paulista, hoje tanta coisa mudada, "sempre tanta mutreta pra segurar a situação", e enchente que vai carregando os sonhos pelo caminho, artistas de ruas sendo esquecidos nas vitrines, mas ainda sim, a minha melhor das vidas.
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29 dias!


Terça-feira, Dezembro 14, 2010

.Marselha e os dois dias.

Entrei em um bar colorido de cunho esquerdista estudantil que vendia coisas alternativas e biológicas, o muffin era de couve, por exemplo, o moço por trás do balcão de Cabo Verde, mas nada de falar português, "na França falamos francês", brincava ele. Na verdade tinha crescido em terras francesas e de casa só aprendera o crioulo e os dotes culinários da mãe, que exibia com gosto para os fregueses do bar.
A menina querida que me recebeu na cidade, brilhou pela primeira vez em minha vida em uma tarde ensolarada na Vida Madalena, hoje, em Marselha, tenta montar sua própria companhia de teatro.
Éramos duas a viajar pelo sul das terras de Baudelaire, eu e minha amiga de Bogotá, que só faltávamos correr e dar pulo lateral por estarmos sentindo de novo um senso de realidade que nos fazia lembrar tão vivamente de nossa latino América.
A francesa de coração brasileiro nos foi preciosa guia turística, nos ofereceu um café da manhã francês em sua colorida sala de estar. Na noite anterior jogos teatrais, membros de sua família. Na manhã um mercado de pulgas onde se encontrava de tudo e mais um tanto.
Na ultima noite um jantar brasileiro, pão de queijo, feito com polvilho comprado no Brasil, receita escrita em português de Portugal, difícil de entender, mas deu certo, eu acho.
No fim da noite Capoeira, Brasil mandava um grande beijo terno.
Teve também um terraço muito ensolarado, um menino querido que nos ofereceu café mesmo depois de invadirmos sua casa, sabonetes tradicionais da região, ruas árabes e lojas com tantos temperos que faziam coçar o paladar, lojas apinhadas de poster de cinema, ruas estreitas e peças teatrais de rua, ao acaso.
De meus dois dias de Marselha levei pra memoria as cores quentes, os sons de revoltas trabalhistas, um charme de caos, a luz que brilha intensa chega cega, a realidade viva das coisas imperfeitas e inrotuladas, uma menina que me agradecia a cada gesto e outra que aparece na minha vida de quando em quando, com olhos verdes de saudosismo partilhado e uma flor vermelha no cabelo.











Domingo, Dezembro 05, 2010

.noventa e nove anos.

Perguntaram-me
- E você Jenny, o que quer ser quando crescer?
Que pergunta difícil, na infância era tão fácil responder isso, e eu tenho certeza que se na adultice todas as pessoas seguissem suas convicções da infância o mundo seria mais feliz. Teríamos legiões de bailarinas, atores, astronautas e veterinários e essa coisa de "admistrador de empresa", por exemplo, seria profissão extinta.
Segui minhas convicções da infância pra responder a pergunta, independente da possível impossibilidade das minhas vontades e disse sem rodeios:
- Quero ser cineasta, professora e palhaça.
O mais genial é que todos deram argumentos positivos sobre minhas três profissões, as tornando tão possíveis naquele momento quanto felicidade em dia de neve.

Mais cedo a menina mais nova estava cabisbaixa porque não conseguiu tirar toda a casca da tangerina de uma só vez, disseram pra ela que quem consegue isso  vive cem anos, eu disse:
- Mais cem anos não é muito?
- Não, eu não quero morrer cedo.
- Mas pow, cem anos é muito, 99 tá bom, você tirou o suficiente de uma vez pra 99, juro.
- Ah então tá bom, ufa...

Ah, eu queria muito ouvir a musica Little Shirley Beans agora, se essa existisse de verdade.

Sexta-feira, Dezembro 03, 2010

.estranhos pero no mucho.

Holandeses...

... comem pão com manteiga e pedaços de chocolate,
se vestem todos de laranja no dia no aniversário da Rainha e ficam bêbados nível coma alcoólico pelas ruas da cidade;
tomam sorvete em dias com temperaturas abaixo de 0;
podem ficar bravos no supermercado e arremessar bananas, os demais no recinto não dirão nada;
andam de bicicleta com as mãos no bolso, tirando o casaco ou jogando no celular;
dançam como se tivessem tendo um ataque epiletico;
comem feijão mergulhado no molho de tomate;
fazem arroz sem sal e sem nada;
almoçam o mesmo que comem no café da manhã;
acham tranquilo colocar a roupa de banho na praia mesmo, ao ár livre, entende?
levam as crianças até a sala de aula e ficam socializando com os outros pais até o sinal bater;
colocam molho de manteiga de amendoim no churrasco (se posso chamar aquilo de churrasco),
dão parabéns pra todo mundo na festa de aniversário, comem o bolo logo no começo da festa, a música de parabéns parece canto de igreja, e dar grana como presente é comum;
legalizaram e aceitam com naturalidade  a prostituição, a maconha, o aborto, o casamento gay, e a comercialização de semente de cannabis;
atendem o telefone dizendo o nome completo;
tiram meleca de nariz sem frescura em publico e se alimentar do muco, também em publico, é levado com muita naturalidade ;
escovam os dentes somente duas vezes ao dia;
dão banho nas crianças dia sim, dia não, às vezes dois não, um sim;
falam um inglês bom pra burro e sempre tentam nos convencer que isso se deve ao fato de não dublarem os filmes e programas originais em língua inglesa na tv;
não sabem fechar portas sem fazer um bocado de barulho;
fazem praia de nudismo e avisam só com uma plaquinha discreta;
celebram o aniversário do Sinterklaas, o papai noel holandes, no dia 5 de dezembro, o velhinho mora na Espanha, vem pra Holanda de barco, tem ajudantes negros com blackpower style. As crianças colocam agua e cenoura pros cavalos dos ajudantes junto aos sapatos na lareira, cantam musicas pra ele antes de dormirem e se não cantar, não rola presente mermão.

Só não os chamo de estranhos porque o estranho a avessa somos nós mesmos , estranhar é preconceituar, e toda estranheza se experimentada pode se tornar um habito que temos orgulho e tudo, ou não.

Só vou deixar os itens arremessar bananas no supermercado, comer meleca e trocar de roupa na praia pros meus anos de esclerose, quiçá.

Sexta-feira, Novembro 12, 2010

.Sunflowers.

All of sudden I just picture myself walking, carrying a sunflower vase against my chest, on the streets of a city I cannot recognize, and thats it, just a scene I cannot avoid having, it just comes like this.
I remember I never really had a sunflower but when I was nine, during the rain period, many of them grew naturally on our garden from the seeds we used to feed our parrot, the same parrot who died many years later when I finally left home. They say they cannot accept goodbyes, the parrots, they stop eating because of the impossibility of accepting the depart of a beloved one.
My dad took two months to tell me about his death and that hurted, I didn't know he liked me that much, I remember we use to sing together during long afternoons inside my childhood and his caged bird solitude. His prision was since always a silent pain for me and when I left I kind of set him free, I should have found a better way though, but I never did, I never...
What is it to be a kid who talks with trees and fear having the knee forever trapped to the fence bars, I used to hide myself behind the couch without telling anyone we were playing hide and seek, fall asleep and wake up hours later with dad calling my name like a crazy, thinking I had been kidnapped or something worse. That's all being a father is about, I guess.
I saved his life twice, on voluntary and unvontulary ways, I just saved his life twice while he gave me mine, how big is that.
Lucky is a family that can normally live in the same house and happily play after six hour hostage followed by a death threat, lucky is that family or that girl talking to the trees.
I wait until they say "yes" or "no" by waving or not waving the leaves with the wind and next to me is the sunflower vase.

It's all a matter of time, space and three thousand different possible expressions.

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Fleet Foxes - Blue Ridge Mountain

Segunda-feira, Novembro 01, 2010

.Primeiro de Novembro.

Aos 16 eu queria me casar, estava vendo uma vida toda planejada desde o café da manhã até a hora do jantar e mais impressionante, eu achava que via muita graça em tudo aquilo, hoje aos 23, eu não faço idéia o que será de mim dentro de quatro meses, idéia alguma, alguma mesmo, noção de nada entende? E é louco como essa incerteza me diverte e como o planajemento dos 16 na verdade me deprimia.
Eu não quero decidir onde trabalhar pra sempre, nem em que cidade viver até o dia do meu funeral, quantos filhos vou ter e quem será o pai, pocha eu não quero nada disso, desde o dia que aprendi a viver no presente todos esses pensamentos me parecem um bocado soltos, e sim, eu as vezes choro por antecipação, mas talvez porque o presente me esteja precioso demais.
Por dentre vozes holandesas, eu vou tecendo uma quantidade irreparável de memórias que não poderei me desfazer tão cedo, por dentre flashbacks de ruas macedonias, islandesas, italianas e cancões ciganas, existe um grande trabalho de colagem se construindo dentro de mim, e o pano de fundo colorido é tudo aquilo que vivi antes naquela mesma cidade, por tantos anos, em dois endereços diferentes, pois me mudei uma vez, contando também com as visitas anuais pelo arredores do coração de Minas.
É como se eu tivesse uma grande necessidade de deixar tudo mesquinho pra trás agora, eu já não tenho mais vontade alguma de discutir assuntos pequenos, e não é presunção, é apenas impossibilidade. Depois de ser auxiliada por um senhor que não falava minha língua, e me apaixonar integralmente por uma criança que não podia me entender se eu usasse as palavras, todas essas coisas pequenas ficaram pequenas pra burro.
Confesso, no momento estou com muito medo, medo de uma saudade que será maior que todas as outras e eu nem sei se meu coração, que por algum defeito, veio sensível aos montes, poderá lidar bem, mas eu vou cantar alguma coisa e tudo ficará okay e porque se há saudade...nem preciso terminar mais nada disso e no final tudo se aplica simetricamente a desorganização da minha colagem.
A música esta no repete e preciso mudar isso.

Quinta-feira, Outubro 07, 2010

.do inverbalizável.

Tudo se revelava em um verdadeiro ensaio sobre a loucura. Da raiz a ponta do cabelo tem mais escamas soltas que se pode imaginar. E na incapacidade das coisas velhas e rotas ainda se consegue construir castelos de areia impermeáveis. Se você vem dormir ou não, eu engulo a seco, enquanto dona Julia tece aquele cachecol para o inverno que começa a se desenrolar de forma timida em nossas cabeças . Do plano dos sonhos ao plano dentário eu idealizo, eu realizo,eu já vejo as flores do próximo casamento ou funeral, pois são flores, apenas.
Ele desenhava acidentes automobilisticos em um pedaço de papel, esperando que ela achasse graça, e se não achasse não importava, ele só queria estar alí, a estrada seguia para cidade de castelos feitos de pedras e afrescos com detalhes em ouro, ele não quis ir, ficou alí ao lado dela, rindo do frio e do calor das palavras tantas. Pensando se um dia doença degenerativa da memória os atacasse, aquela lembrança estaria entre aquelas que lutariam para não se esquecerem nunca, mas não verbalizaram nada disso, pois não era possível, de novo.
Tinham dois corações plantados alí, e a chuva que vinha lavava o vinho derramado nas coisas em vão, ela assistia as duas meninas dando as mãos enquanto andavam em suas bicicletas roxas, e no fundo da cena, tocava uma canção de sinos de alerta enquanto os dois coracões davam frutos em preto branco e sepia.
O vendedor de tamborins cantava em uma língua irreconhecivel, mas a beleza de suas palavras inebriava até mesmo os mais ceticos na sala decorada com enfeites natalinos do ano retrasado. Atravessavam fronteiras sem serem visto precisamente por sua capacidade de nunca dizerem muito e nunca chorar. Ela chorava.
E ele secou suas lágrimas, depois não disse mais nada...
...e dos sentimentos inverbalizaveis já se perderam as contas.

Sábado, Outubro 02, 2010

.Tanto em um só, o só em um tanto.

Festa de São João.Feijoada. Caipirinha. Pão de queijo. Sonho de Valsa. Brigadeiro. Cantos e vozes contra ditadura. Machado de Assis. Elis Regina. Chico Buarque. Bossa Nova. Rua Augusta. Noitão do HSBC Belas Artes. Frutaria São Paulo. Pular onda. Comer lentilha. Guardar semente de roma da carteira. Pastel de todos os sabores. Pizza doce. Luis Fernando Verissimo. Clarice Lispector. Masp. Renato Russo. Mombojó. Amarelinha. Pular onda.  Um beijo, dois beijos, tres beijos no rosto, um abraço nos mais queridos. Escola de Samba. Maracatu. Beijinho. Quadrilha. Churrasco. Jorge Ben. "Não repare a bagunça". Samba Rock. Leite Condensado. Doutores da Alegria. Feira de domingo. Sacolão. Museu da Língua Portuguesa. Raul Seixas. Walter Salles. Estudios Vera Cruz. Favela e o sobreviver. Muitos sotaques. Anita e Garibaldi. Revoluçao Farropilha. MPB.  Glauber Rocha. Sotaques tantos. "Já vai? Ainda tá cedo!". Verde-amarelismo. Restaurante por kilo. Semana Moderna de 22. Tuma da Monica. Movimento Antropofagico. Tiradentes. Batuque. Acarajé. Camdomblé. Dia das crianças. Iemanjá. Maria Mole. Arroz e Feijão.Teta de Nega. Tim Maia. São Jorge. Prossição. Sarau. Recital. Festa dançante. Guafieira. Baile da terceira idade.Vinicius e Tom. Corcovado. Ouro Preto das Minas Gerais. Cachoeira. Legião Urbana. Tropicalismo. Amazonia. Anita Mafalti. Tarsila Amaral. Joãos, Marias, Pedros e Josés Silva e Souza e Pereira...

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e são tantos em um só e é um só nesses tantos - gritando por uma voz que saiba cuidar de tudo isso. Mas está dificil, está dificil.

Quarta-feira, Setembro 22, 2010

.Down the lane.

Going down the lane, with four friends she knows since long time who never met her before, they talk to her all the time but she can't say a word to them, even if she tries. She thinks.
Reading about a land no one around her knows about, falling for words she doesn't understand but nicely laughs at, she is this kind of human being that loves everything that makes her laugh. That's kind of silly, she knows.
Squeezing a love against her chest, in silence, hoping it will disappear before someone notice it, even herself. Its not the first time - she says.
Watching the time passing, passively. The moon is so beautiful, and she can do nothing about it but looking up to the sky when its clear untill her neck starts aching, then she stops, turning to the pavement. Something similar goes with the time, she believes.
Going down the lane, going down the lane with colours in yelow, red and purple, willing for stars, willing for rain, willing for life, whatever it comes. Tomorrow she may cry, but the day after she will sing.

Carrying no penny, just going down the lane.

Sexta-feira, Setembro 03, 2010

Situações III

- Ah você é brasileira?
- Sim sou.
- Que bacana, eu adoro um cantor brasileiro !
- Ah é, qual ?
- Seu Jorge, você conhece ?
- Ah sim, de certo, ele é bem popular por lá, que legal que você o conhece.
- Sim, tem uma musica dele que amo, se chama "Tibiriçau", conhece ?
Paro um pouco e penso no meu nada vasto conhecimento sobre os nomes das musicas do seu Jorge e respondo
- Não, essa não conheço, não conheço muitas musicas dele, já fui em um show com amigas mas só.
- Mas o que significa "Tibiriçau"?
- Mmm, não é bem uma palavra portuguesa assim, me parece mais algo indígena sabe? E eu não sei bem o que significa, mas de certo deve significar algo.
Ela faz cara de estranhamento, aquele momento em que informações se confrontam e a gente se sente meio perdido. Alguem tem um smartphone, empreste-nos, a outra guria quer ouvir a canção. A primeira soletra o nome : T-I-V-E    R-A-Z-Ã-O.
Eu : - Ahhhhhhh, tive razão, tive razão signica algo assim "j`ai ete raison"
- Isso, isso mesmo, desculpe minha falta de sotaque brasileiro.
- Desculpe meu mau entendimento.
Risos acanhados

***

- Esse meu boneco não tem "pimol".
- Han, não tem o que?
- Pimol !
- Mas que que isso menina, pimol?
- Aquilo, aquilo que o papai tem e a mamãe não sabe?
- Ah, saquei.
Droga de palavra-imagem.

***

- Eu não tenho inteligencia pra isso, essa coisa de fazer malabares,
Então ele fala muito convicto:
- Não tem nada  a ver com inteligencia isso!
- Mas como você pode estar tão certo disso?
- Por que eu não tenho lá muita inteligencia e eu sei fazer oras.
Auto- estima é para os fracos

***

Eu sentadinha descansando depois de subir toda Champs Élysées a pé, surge do nada o velhinho redondo de cara avermelhada:
- Oi? - com aquele olhar 47.
- Oi? -
- Tudo bem?
- Tudo ?
- O que você esta fazendo aqui menina?
- Esperando o horário pra encontrar um amigo senhor.
- Ah um amigo?
- É um amigo.
- Ta bem então, boa sorte, tchau.
- Obrigada, tchau.
Velhinho vai embora, o vejo atravessar a rua, esqueço-me, cinco minutos depois decido eu mesma seguir meu caminho, vou atravessar outra rua e quando olho pro lado, quem esta lá ? O velhinho, acenando pra mim todo animado. Como ? Ele começa a andar na minha direção, eu finjo que não é comigo, e começo a andar pro outro lado, velhinho começa a me seguir, aperto o passo, ele também. Bicicletas de aluguel ao meu alcance, tiro o cartao do bolso, o coloco contra o painel magnetico, saco uma bike e fujo pelas ruas da cidade. Velinho some de vista. Victory.
E acho que estou assistindo filmes demais.

***
Kind of perdida em Florença, alguem me diz:
- Pergunta pro "autista", ele vai saber te responder.
Penso "como assim pro autista, que autista, por deus"
Entro em um onibus qualquer, do lado do motorista uma plaquinha avisando "atenção o 'autista' não dá troco"
Olho pro motorista, olho pra plaquinha, pro motorista de novo e pra plaquinha.
"É, encontrei o 'autista'"
Peripécias linguistico-desimportantes

Domingo, Agosto 29, 2010

.Dialogos de rua.

- O que eu mais gosto em mim?
- É, o que mais gosta em você, não fisicamente sabe, mas assim, na sua essência.
Pensa um tempo
- Sim, já sei. O que eu mais gosto em mim é o fato de eu nunca querer passar alguém pra trás, mesmo se eu tenho a oportunidade, alí, na cara, pra subir, pra me dar bem, eu simplesmente não consigo fazer isso e eu gosto muito disso em mim. E em você, o que mais gosta?
- Gosto da minha sensibilidade para imaginar histórias de todo mundo que passa por mim, como aquela moça, aquele senhor, aquela criança alí. Todo mundo tem uma história, e todo mundo que passa me inspira para imagina-la, isso me encanta.
- Haha, que ótimo.
Ambos param um pouco pra pensar, subindo as escadas do metro.
- E nas pessoas? O que mais gosta?
- Essa é mais difícil, mas bem, acho que sei. Gosto da forma com que todas as pessoas passam do estado neutro pro estado do sorriso, quando elas deixam aquela cara carrancuda e se abrem, partilham, todo mundo pode passar por isso, e eu amo ver isso, simplesmente. E você?
- Eu gosto da capacidade que as pessoas tem em criar arte, em criar coisas belas que encantam outras pessoas. Músicos, artistas plásticos, fotógrafos, tudo isso é muito bonito, pode até muitas vezes ser um trabalho individual e pra si mesmo, mas o resultado final acaba por tocar muita gente, em colorir a vida alheia, essa habilidade das pessoas é a que mais me faz acreditar cem por cento da humanidade mesmo depois de ler as noticias nos jornais, sabe?
- Pocha que romântico... mas o que eu estou falando, eu também fui um bocado romântico na minha resposta.
- Pois é, o que você esta falando?
Risos paralelas.
- Estamos quase chegando no lugar do encontro com o pessoal, vamos deixar as próximas perguntas pra mais tarde sim?
- Claro, as pessoas vão achar a gente românticos por demais a essa hora da noite.
Mais risos paralelos.

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Recortes.