Sexta-feira, Setembro 03, 2010

Situações III

- Ah você é brasileira?
- Sim sou.
- Que bacana, eu adoro um cantor brasileiro !
- Ah é, qual ?
- Seu Jorge, você conhece ?
- Ah sim, de certo, ele é bem popular por lá, que legal que você o conhece.
- Sim, tem uma musica dele que amo, se chama "Tibiriçau", conhece ?
Paro um pouco e penso no meu nada vasto conhecimento sobre os nomes das musicas do seu Jorge e respondo
- Não, essa não conheço, não conheço muitas musicas dele, já fui em um show com amigas mas só.
- Mas o que significa "Tibiriçau"?
- Mmm, não é bem uma palavra portuguesa assim, me parece mais algo indígena sabe? E eu não sei bem o que significa, mas de certo deve significar algo.
Ela faz cara de estranhamento, aquele momento em que informações se confrontam e a gente se sente meio perdido. Alguem tem um smartphone, empreste-nos, a outra guria quer ouvir a canção. A primeira soletra o nome : T-I-V-E    R-A-Z-Ã-O.
Eu : - Ahhhhhhh, tive razão, tive razão signica algo assim "j`ai ete raison"
- Isso, isso mesmo, desculpe minha falta de sotaque brasileiro.
- Desculpe meu mau entendimento.
Risos acanhados

***

- Esse meu boneco não tem "pimol".
- Han, não tem o que?
- Pimol !
- Mas que que isso menina, pimol?
- Aquilo, aquilo que o papai tem e a mamãe não sabe?
- Ah, saquei.
Droga de palavra-imagem.

***

- Eu não tenho inteligencia pra isso, essa coisa de fazer malabares,
Então ele fala muito convicto:
- Não tem nada  a ver com inteligencia isso!
- Mas como você pode estar tão certo disso?
- Por que eu não tenho lá muita inteligencia e eu sei fazer oras.
Auto- estima é para os fracos

***

Eu sentadinha descansando depois de subir toda Champs Élysées a pé, surge do nada o velhinho redondo de cara avermelhada:
- Oi? - com aquele olhar 47.
- Oi? -
- Tudo bem?
- Tudo ?
- O que você esta fazendo aqui menina?
- Esperando o horário pra encontrar um amigo senhor.
- Ah um amigo?
- É um amigo.
- Ta bem então, boa sorte, tchau.
- Obrigada, tchau.
Velhinho vai embora, o vejo atravessar a rua, esqueço-me, cinco minutos depois decido eu mesma seguir meu caminho, vou atravessar outra rua e quando olho pro lado, quem esta lá ? O velhinho, acenando pra mim todo animado. Como ? Ele começa a andar na minha direção, eu finjo que não é comigo, e começo a andar pro outro lado, velhinho começa a me seguir, aperto o passo, ele também. Bicicletas de aluguel ao meu alcance, tiro o cartao do bolso, o coloco contra o painel magnetico, saco uma bike e fujo pelas ruas da cidade. Velinho some de vista. Victory.
E acho que estou assistindo filmes demais.

***
Kind of perdida em Florença, alguem me diz:
- Pergunta pro "autista", ele vai saber te responder.
Penso "como assim pro autista, que autista, por deus"
Entro em um onibus qualquer, do lado do motorista uma plaquinha avisando "atenção o 'autista' não dá troco"
Olho pro motorista, olho pra plaquinha, pro motorista de novo e pra plaquinha.
"É, encontrei o 'autista'"
Peripécias linguistico-desimportantes

3 dizem que diz:

Gota disse...

Jenny Jenny!
Muitos legal as situações... Imaginei vc abrindo fuga contra o velhinho simpático "vem cá netinha" ahuahuahuahuahuahuahuahu

Ri muito...

João disse...

Gostei das histórias, gostei das histórias.

(auto-estima é para os fracos, clássico)

Jenny Souza disse...

Gota, e eu não esqueci a minha toalha hahaha

Jão, que bom que gostou, que bom que gostou. :)